Ah, o que não dá pra calar deve ser dito. As vezes aos gritos para ser mais ouvido mas, com certeza, aos sorrisos é que será mais crido. Quem cala sua própria voz amargará perpetuamente o gosto lacriminoso da dúvida do "e se antes fosse?”. É preciso dizer, não doendo a quem doer pois a verdade só dói nos ouvidos de quem a tenta negar. A verdade cura, transforma, liberta.
Mas não somos a verdade, somos ambíguos, ambivalentes como a verdade nunca foi e nunca será. Somos, por momentos longos demais, o oposto do que desejamos ou sonhamos ser. Causamos em nós mesmos e em quem amamos exatamente o inverso do que prometemos. Auto-assustador.
Mas só não sabe voltar quem nunca foi. Só não sabe pedir pedir perdão quem vive a utopia de achar que nunca errou. Triste é não conhecer a si mesmo e se perder nas paredes escuras do labirinto de todas as crises. Bom, é saber que as limitações do eu são bençãos divinas que nos guiam pelas possibilidades de crescimento.
Mas devemos falar, estamos já expostos à vida. Não sabemos viver, a educação paternal, as experiências boas ou infelizes não bastam. Só bastam para nos fazer egoístas ou auto-comiserados, ufanistas e medíocres, ou no melhor das hipóteses, precavidos. Mas tudo é tão canseira, já dizia um sábio.
No final somos almas perdidas nadando no mesmo aquário, já dizia Pink e não Freud. Mas alguns de nós já foram resgatados pelos pescadores de homens. Porem mesmo assim, devemos falar. Assumir que o discurso é nosso e não de ninguém, é das emoções misturadas com as razões, é da vida do hoje na construção gradual do que talvez seremos amanhã.
Vamos no final de tudo olhar para trás, séria visão. Nesse dia será muito bom lembrar das palavras ditas e repetidas, mesmo não ouvidas, das oportunidades não negligenciadas, das atitudes entregues por amor e não por respostas. Bom será deixar a existência sem asfixiar boas palavras na garganta. O que há de se falar não pode se calar.
Gustavo





